Quero te encontrar

Desde que comecei a mudar meu estilo (cabelo, maquiagem, roupas, acessórios… e meu comportamento) me pergunto: onde eu me encaixo? A gente tem essa mania de tentar se sentir parecido com alguém. Mas será que é preciso?

Claro que é incrível se inspirar em tudo a nossa volta, mas descobri que o mais importante está em olhar pra dentro e encontrar quem é você e quem você quer ser.

Desde então me sinto mais livre pra escolher tudo. Desde roupas até as decisões sobre a vida. Sem pressão e comparações. É uma luta diária e não é fácil, porém libertador.

Baixinha não pode isso, peituda não pode aquilo… Você precisa comprar sua casa antes de ter filho, precisa curtir seu casamento… Regras! Rasgue todo esse modelo imposto e faz o seguinte: olhe pra dentro e se encontre. É lindo. Alguns vão amar e outros odiar, mas quem disse que a gente precisa de aprovação pra ser FELIZ?<3

Podemos ser e fazer o que a gente quiser!

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Pelas regras eu não poderia usar esse vestido. 😦 Vou usar com e sem salto, com bolsa de festa… 😉

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Eu sei

Para ler ouvindo: Game for fools | Jamie Lidell

Mandou o texto. Seu coração palpitava como se estivesse se preparando para o primeiro encontro entre eles, embora isso já tivesse acontecido. Não imaginou que ele quisesse ler algum conto seu.

Já tinham conversado sobre sonhos, certa noite, naquele quarto pequeno, bagunçado e cheio de estrelas. Confessou, entre lençóis, risos e beijos, que queria ser escritora. Com a voz um pouco baixa e reticente, como se a palavra escritora fosse preciosa demais para ser dita assim, sem cuidado. Ele passou as mãos em seu cabelo e disse que não sabia que sonho tinha. Que ia vivendo um dia de cada vez, sem prospectar o futuro. Se entrelaçaram e esqueceram o assunto.

E agora, depois de uma conversa despretensiosa sobre um conto que escrevera pra aula de Literatura, o pedido mais íntimo que ele podia fazer a ela. Gostaria de ler. Seus olhos brilharam.Tem certeza? quer dizer… Eu ainda tô aprendendo. Ele riu da timidez dela. Me manda, prometo não pegar pesado nas críticas.

Foi a primeira coisa que fez ao chegar em casa. Sentou em frente ao computador e escreveu o email. Um pouco trêmula de nervosismo e felicidade. Como prometido, vai o texto que levei pra aula ontem. Lembrando que a aula é de Literatura Infantil, então… Não queria mostrar insegurança, embora as reticências ao final lhe traíssem um pouco.

A falta de resposta a fez imaginar que ele falaria sobre o conto quando se encontrassem novamente. Expectativa que foi logo derrubada depois de se verem algumas vezes e ele não comentar nada. Será que não gostou?

Tentou não ligar para o silêncio, mas depois de um tempo, deitados naquele quarto que tanto amava, ela perguntou, entre um papo e outro, pra não parecer cobrança (ou mágoa), eu te mandei aquele conto que a gente conversou uma vez, lembra? Achou muito ruim? E riu, pra parecer que não se importava tanto assim. Ah, sim. Acabei não lendo.  Quando conseguir te falo.Ela assentiu e se esforçou pra não parecer chateada.

Não tocaram mais no assunto.

Ele nunca leu o conto.

Em seu último encontro, aquele em que cumpririam as meras formalidades para um término decente, uma água e um café pra dizer me apaixonei por você e ouvir não quero me envolver nem te magoar, ele lembrou do conto. Pensei em ler hoje, mas…

Eu sei, ela completou.

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ju.jpgJuliana Borel é aspirante a escritora e poeta. Pra ganhar dinheiro e pagar as contas é jornalista a maior parte da semana. Pra se inspirar gosta de ouvir Guns, trilhas sonoras e esbarrar por aí em pessoas interessantes. Seu blog procurasepoesia.blogspot.com.br é praticamente seu DNA.