Pendurei a alma no armário

Todo mundo já teve que esquecer alguém. Limpar, do corpo e da memória, uma paixão que não quis ficar é, talvez, uma das faxinas mais difíceis de fazer.

O texto de hoje é pra quem já teve que limpar a casa algumas vezes.

A falta

Andei pelos cantos. Na calçada, andei perto dos prédios, longe das vias. No trabalho, fiquei calada quase o tempo todo. Naquela festa, sábado à noite, não dancei. Fiquei escondida, na parte mais escura da boate, com um copo de energético na mão. No almoço de domingo fiz jejum. Em casa, apaguei a luz, fechei a porta do quarto, cerrei as cortinas.

De tudo o que eu te dei, você levou a única coisa que eu queria pra mim.

Pendurei a alma no armário, ao lado dos casacos. Guardei o coração numa caixa de sapato, perto dos álbuns de fotografias. Coloquei na estante as promessas, junto aos livros de poesia. Os planos… Esses tive que jogar fora. Não havia espaço para eles.

Com esforço, fiz faxina na casa. Aspirei as expectativas, passei um pano nos sonhos, varri as possibilidades. Coloquei na estante mais alta da despensa, as lembranças encaixotadas. Lavei os espelhos, esfreguei as paredes, poli o fogão. Quis encerar o chão e limpar as janelas, mas… Estava exausta. Cansa o corpo expurgar os vestígios de ausência, encher de vazio o próprio vazio.

De tudo o que você me deu, restou apenas o que não ficou.

Pendurei a alma no armário

ju.jpgJuliana Borel é aspirante a escritora e poeta. Pra ganhar dinheiro e pagar as contas é jornalista a maior parte da semana. Pra se inspirar gosta de ouvir Guns, trilhas sonoras e esbarrar por aí em pessoas interessantes. Seu blog procurasepoesia.blogspot.com.br é praticamente seu DNA.

Anúncios

Meu pretinho básico

Black is black e todo mundo ama. Preciso me policiar sempre, pois toda vez que vejo algo pra comprar o preto é sempre a primeira opção.

Minha fase atual é bem colorida, mas quem resiste a um pretinho? Esse foi do #bazardasamigas que já contei aqui. Apesar de ter tirado as fotos durante o dia, minha ideia é usar à noite. Ah, e o decote atrás ganhou meu coração.

_MG_1991
_MG_1990
_MG_1994
_MG_2006
_MG_2019
_MG_1939

Vestido: Shop 126 | Top: Primark | Anel: Antigo e sem marca| Brinco: Antigo (esqueci onde comprei rs)| Bolsa: H&M (Italia)| Scarpin: Aquamar
Crédito das fotos: Edson Luiz ( ❤ )

Saindo do armário

Já disse pra vocês que eu tenho um problema sério e fico guardando roupas para O DIA ideal? Só que quase sempre eu não tenho nada em vista e a roupa fica lá no armário guardada um tempão. Rs

O nome disso é loucura, eu sei! Juro que estou tentando mudar (parei para pensar por alguns segundos e notei que sempre repito essa frase kkk).

O lado positivo foi que eu resolvi usar a saia que eu acho a mais linda do meu guarda roupas. Já falei dela aqui e aqui.

Eu simplesmente AMEI o resultado. Não sou muito de seguir regras, mas também não quero parecer uma palhaça na rua.
Eu sou baixa, tenho peitos enormes e meu tronco nao existe, né. Mesmo assim eu curti usar uma saia midi pela primeira vez.
De acordo com algumas matérias ela vai ser um dos hits da Primavera 2015. Se bem que já está uma febre, né?

No final das contas faz bem usar aquilo que deixa a gente feliz. E se errar, errou (quem nunca?). ❤

_MG_2121
_MG_2110
_MG_2040
_MG_2032
_MG_2035
_MG_2041

Blusa: Renner | Saia: Vaiôla |Pulseira: Feira da Praça XV | Anel: Antigo e sem marca| Bolsa: Presente da minha best Paty é da Amo Muito| Scarpin: Aquamar
Crédito das fotos: Edson Luiz (marido)

A Jaqueta de couro

Agora tenho uma jaqueta de couro. Ganhei de presente (da Denise – uma das pessoas mais incríveis que eu conheço – que sempre me enche de mimos maravilhosos e repletos de carinho ❤ ). A jaqueta, além de linda, é quentinha! Tem como ser melhor? Não, né, gente!

A cor dela é marrom e eu fiquei na maior dúvida com o que usar. Gente, preciso de dicas. Que cores combinam com marrom? Não sabia que ia achar essa tarefa difícil. Rs Arrisquei essa mistura das fotos. Deu certo?

Tira jaqueta

_MG_2172
_MG_2186
_MG_2212

Coloca jaqueta

_MG_2122
_MG_2160
_MG_2155
_MG_2150

Jaqueta: Gare 7 (presente) | Blusa: Renner | Saia: Forever 21 |Pulseiras: Gavicci Acessórios | Cordão: Josefina Rosacor| Bolsa: Presente | Rasteira: Renner
Crédito das fotos: Edson Luiz ( meu marido 🙂 )

Sobre a Praia do Flamengo

Todo mundo tem um lugar preferido. No ano em que o Rio de Janeiro completa 450 anos, te desafio a me contar qual é o seu. Afinal, o que não falta nessa cidade são paisagens que ajudam o ser humano a sentir-se maravilhado.

O meu lugar preferido no Rio deixa muita gente ressabiada. Por isso, aí vão as minhas razões.

Flamíneo

Lá vem aquela cara. As sobrancelhas juntas, a testa franzida, os cantos da boca fazendo um arco pra baixo, os lábios se separando. Então a odiosa pergunta:

-E você entra na água?!

Pera aí. Vamos começar do começo.

Minha mãe diz que eu nasci na Ilha do Governador e morei no Méier, mas desde que me entendo por gente, moro no Flamengo. Quando eu tinha quatro meses, ela e meu pai decidiram se mudar. Com três filhas, ficou difícil morar numa casa em que, se entrando pela porta, se caía pela janela.

Assim, em 1985, viemos para a Marquês de Abrantes, 189. Flamengo.

Calma, deixa eu repetir. Fla Men Go. Não é lindo? Uma vez eu pesquisei. Significa algo com a cor da chama, vermelho, flamíneo.

A primeira vez que eu pisei na areia do Flamengo , nem sei. Eu era bem pequena e a praia ainda era cheia de tatuí. Lembra deles? Meu pai me levava com a minha irmã mais velha e a gente passava a manhã inteira brincando de dar cambalhotas submarinas e construindo castelos. Eu adorava o cheiro de plástico novo das boias de braço e o gosto de sal que tinha o beijo do meu pai.

Depois, mais velha, eu e minha irmã gostávamos de andar de bicicleta ou patins no Aterro. De um lado pro outro naquelas pistas enormes, banhadas de saúde, bem-estar e domingo. Às vezes, quando meu pai nos acompanhava, ele apontava pra cima e dizia: Viu? Uma arara! E se perdia no amor pela Natureza.

O mar sempre estava ali, esperando gelado por nossos corpos suados que mergulhavam sem pudor na sua falta de ondas e no seu excesso de carinho e saudade.

Naquela época ninguém fazia cara de nojo pra Praia do Flamengo e nem ela era conhecida, entre os moradores do bairro, como a praia do brejo.

Quando entrei na adolescência, cometi minha única traição. Fui à praia de Ipanema com as amigas da escola. Gostei, não. Além das ondas gigantescas – vá lá, eu estava acostumada com o Flamengo, né… – , era um tal de posto dos gays, posto dos maconheiros, posto dos gringos… Nunca tinha ido a uma praia dividida em guetos.

Aqui no quintal de casa sempre foi tudo misturado. O povo do bairro, o povo do Morro Azul, o povo do subúrbio que vinha de metrô feliz da vida fazer farofada. Era a barraca da Fátima e do Seu Jorge, o pastelzinho do baiano, o mate com limão do Zé. E o picolé de frutas? 2 reais. Não 5, como em Ipanema.

E ao diabo o jornalista que resolveu declarar em matéria falaciosa que a praia do Flamengo é a maior concentração de mulher feia por metro quadrado. (Sim, a matéria existe e, obviamente, o jornalista é míope).

Mais tarde, quando a vida profissional começou a atrapalhar os momentos de ócio, ir à praia do Flamengo virou quase um ritual sagrado. Fim de semana de sol? Praia! Feriado de sol? Praia! Folga inesperada? Praia, claro.

O quadro é sempre o mesmo: de manhãnzinha, o sol nascendo em Niterói e batendo nas curvas sinuosas do Pão de Açúcar. Flamíneo. Taí.

Por isso, não me envergonho de dizer que, sim, frequento a praia do Flamengo há quase 30 anos. E é claro que entro na água.

Fique então com a explicação:

Já criei anticorpos. Sou peixe desse mar que me acompanha a vida inteira. É caso de amor mesmo e quando é que amor faz mal pra saúde?

praiadoflamengo

ju.jpgJuliana Borel é aspirante a escritora e poeta. Pra ganhar dinheiro e pagar as contas é jornalista a maior parte da semana. Pra se inspirar gosta de ouvir Guns, trilhas sonoras e esbarrar por aí em pessoas interessantes. Seu blog procurasepoesia.blogspot.com.br é praticamente seu DNA.