Quando não existimos mais

Para ler ouvindo Fall for you | Leela James

Parece que foi ontem. Lembra?

Uma troca de olhares, um sorriso, um “olá” diferente de todos os outros.

Sim, quase outro dia. Séculos atrás.

Nós dois. Sem nome, sem rótulos. Apenas nós dois e isso, que a gente entendia sem poder explicar.

Então, nos perdemos.

Em alguma curva ou atalho, nos distraímos e nossos caminhos se desencontraram.

A gente se afastou. Talvez não houvesse outro jeito.
Ainda assim, é estranho passar por você na rua e dar um sorriso insosso, como se fossemos apenas conhecidos.
Dividimos a mesma cama, compartilhamos sonhos, revelamos frustrações. E agora você atravessa a rua sem olhar pra trás, como se eu fosse uma vizinha sem nome.

A gente se esqueceu. Talvez tenha sido a maneira que encontramos de seguir em frente. Foi a maneira que eu encontrei.
Acreditar que você não está mais dentro de mim, sabendo que está. Adquirir a habilidade de sentir sem pensar, de lembrar sem sentir, de pensar sem lembrar.

É como olho para você nesse instante. Com a estranheza de sentir algo velho percorrer um corpo em que não cabe mais.

O vento te leva embora por uma esquina. Não te vejo mais.

Vou embora também.

P1080340

ju.jpgJuliana Borel é aspirante a escritora e poeta. Pra ganhar dinheiro e pagar as contas é jornalista a maior parte da semana. Pra se inspirar gosta de ouvir Guns, trilhas sonoras e esbarrar por aí em pessoas interessantes. Seu blog procurasepoesia.blogspot.com.br é praticamente seu DNA.

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